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LUIZA

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Cunha defende financiamento privado e redução do tempo de campanha

  Enquanto os movimentos sociais e os parlamentares mais progressistas defendem o fim do financiamento privado de campanha eleitoral como forma de combater a corrupção, o candidato do PMDB à presidência da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (RJ) reafirma o seu compromisso com os interesses econômicos e disse, nesta segunda-feira (26), que a “tentativa de criminalizar" o financiamento privado “é perigoso” e “uma seara de risco enorme”.

                                       Cunha defendeu os intereses econômicos nas campanhas eleitorais, mas não quis se comprometer com os trabalhadores “Discordo da decisão que o financiamento privado seja ilegal. Se é inconstitucional ou ilegal, todo mundo aqui se elegeu na ilegalidade”, afirmou Cunha durante evento na sede da Força Sindical, em São Paulo. O financiamento privado de campanha tem sido apontado como a principal causa de corrupção eleitoral. Isso porque o financiamento por empresas torna os representantes eleitos cada vez mais reféns dos apoiadores. Além disso, o dinheiro tem ocupado um papel cada vez maior nas eleições brasileiras, reduzindo a igualdade de condições entre os candidatos e desestimulando a candidatura de cidadãos desprovidos de apoio financeiro.

Brasileiro “decide em cima da hora”

Mas a proposta de Cunha vai além do financiamento. Ele defendeu a diminuição do tempo de campanha para baixar também os custos, pois para ele “três meses [de campanha] é muito”. Segundo o deputado, o eleitor brasileiro “decide em cima da hora”, por isso não é necessário tanto tempo para que o cidadão possa refletir sobre os rumos do país. O importante mesmo, na visão de Cunha, não é conscientizar os eleitores sobre as propostas, mas reduzir os custos. “Se você diminui o tempo de campanha, você diminui o custo”, reafirmou.

Lava Jato

Cunha teve seu nome citado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. Ele estaria entre os beneficiados do doleiro Alberto Youssef. Depois de muitas desmentidas, uma gravação foi apresentada por Cunha como sendo uma prova de “armação” de opositores de sua campanha à Presidência da Câmara.
Mas, por enquanto, o que se descobriu é que a armação mesmo estava no áudio da fita entregue pelo deputado. Isso porque o perito André Morrison, que chefia o serviço de análise de áudio e vídeo da Polícia Federal e presidente da Associação Nacional dos Peritos, afirmou que o áudio não passou de uma encenação teatral.

Eleição na Câmara

Sobre a disputa na Câmara, Cunha voltou a reclamar do apoio de ministros a campanha de seu principal adversário, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e, em tom de ameaça, disse que terá “sequelas” na relação entre seu partido, o PMDB, e o governo federal.
“Acho que o Poder Executivo não pode interferir na eleição do Legislativo. Acho equivocado. Certamente será um erro que terá sequelas futuras, porque o PMDB, partido do qual faço parte, é da base do governo", ameaçou.
Recentemente, Chinaglia rebateu as declarações de Cunha sobre o apoio de ministros dizendo que, diferentemente do candidato peemedebista, a sua “candidatura não é subordinada aos interesses econômicos”. A julgar pelas afirmações de Cuinha sobre o financiamento privado, a definição de Chinaglia é muito precisa e reforça a convicção de que a eventual eleição do parlamentar para a presidência da Câmara será um retrocesso para os interesses nacionais.

Para os trabalhadores: nada

Na plateia de trabalhadores da Força Sindical, enquanto defendeu os interesses econômicos nas campanhas eleitorais, Cunha não quis se comprometer com os trabalhadores. Ouviu as reivindicações dos sindicalistas em relação a projetos de lei sobre direitos dos trabalhadores que estão parados na Câmara, mas evitou se comprometer com eles dizendo apenas que, como presidente da Casa, estará "aberto ao debate". "Tem coisas que não são da alçada do presidente", esquivou-se.

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