loading...

LUIZA

terça-feira, 30 de junho de 2015

Impunidade em conflito pela terra no Paraguai: 3 anos do Massacre de Curuguaty

Passados três anos, um dos maiores conflitos de terra já ocorridos no Paraguai continua impune. O episódio ficou conhecido como "Massacre de Curuguaty” e foi o início do que culminou no golpe parlamentar contra o ex-presidente Fernando Lugo. Em 15 de junho de 2012, mais de 300 agentes de polícia desalojaram cerca de 70 camponeses, que ocupavam as terras do assentamento conhecido como "Marina Kue”, no distrito de Curuguaty. No confronto, morreram 11 camponeses e seis policiais, as vítimas seguem sem encontrarem justiça e reparação.
Após o confronto, os camponeses foram acusados de envolvimento no massacre. A promotoria se baseia nos testemunhos dos agentes que participaram da operação e defende que os policiais foram vítimas de uma emboscada feita pelos ocupantes da terra. Os 16 detidos já completaram três anos de prisão preventiva e apenas um não cumpre a pena em regime domiciliar. O julgamento, previsto para junho de 2014, já foi adiado três vezes, agora com previsão para 22 de julho deste ano.
Os advogados de defesa denunciam que a maioria dos camponeses é acusada por invasão de terras, sem que a titularidade destas tenha sido resolvida na Justiça. As terras onde ocorreu o massacre são chamadas de Marina Kue, que, em guarani, significa terras da marinha. Os 2 mil hectares da área pertenciam à Marinha Paraguaia, até 1990, quando foi desocupada e deixada como terra devoluta (pertencente ao Estado paraguaio).
O empresário Blas Riquelme, que foi senador por três mandatos pelo Partido Colorado, reivindicou a propriedade, nomeada, hoje, como "Reserva Natural de Campos Morumbi”. Há pelo menos cinco anos, cerca de 40 famílias de camponeses vivem no assentamento e exigem a reforma agrária no país.
O Paraguai tem uma das maiores concentrações de terra do mundo. Segundo o censo agropecuário de 2008, apenas 2,6% dos proprietários detêm 85% de toda a terra cultivável, enquanto 91,4% dos camponeses dispõem de 6% da superfície agrícola. Atualmente, 92% das terras cultiváveis no Paraguai são utilizadas para produzirem alimentos, destinados somente à exportação. O país é o quarto produtor e o sexto exportador mundial de soja. Nesse contexto, conflitos pela terra são uma constante histórica.
Denúncias revelam que líderes e militantes de movimentos sociais são, continuamente, perseguidos e ameaçados por parte da polícia e de "capangas” dos grandes latifundiários. Um dos últimos casos foi o assassinato do líder camponês Vidal Vegas, testemunha do Caso Curuguaty e dirigente da Comissão Sem Terra. Vegas foi morto a tiros por pistoleiros, mas a morte não está sendo investigada como parte do processo. Há relatos também de prisões e torturas extraoficiais, que não são levadas em conta pela investigação oficial.
Veja o vídeo que mostra o confronto de Caraguaty.
Cristina Fontenele - Estudante de Jornalismo (FAC), publicitária e Especialista em Gestão de Marketing pela FDC/MG.
ADITAL

Nenhum comentário:

Postar um comentário