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LUIZA

sábado, 16 de janeiro de 2016

Racismo na TV Globo provoca reações na academia e no movimento negro

Um comentário do jornalista Alexandre Garcia, ex-porta-voz da ditadura militar, em um noticiário local da TV Globo em Brasília, provocou revolta entre alunos e professores da rede pública, bem como na comunidade acadêmica. A Unegro também se manifestou.
UnB
Ao contrário do que diz o apresentador, estudos do Ministério da Educação (MEC) comprovam que os alunos cotistas vêm tendo desempenho acadêmico superior ao de não-cotistasAo contrário do que diz o apresentador, estudos do Ministério da Educação (MEC) comprovam que os alunos cotistas vêm tendo desempenho acadêmico superior ao de não-cotistas
Garcia afirmou que os alunos cotistas da Universidade de Brasília (UnB) entrariam pelas costas na universidade pública, sem ter, na sua avaliação, mérito para estudar nas instituições federais de ensino superior. Estariam lá por “pistolão”, segundo disse o jornalista.
Mas, ao contrário do que diz Garcia, estudos do Ministério da Educação (MEC) comprovam que os alunos cotistas vêm tendo desempenho acadêmico superior ao de não-cotistas.

“Temos que pensar na qualidade do ensino. Aqui no Brasil ele é todo assim por pistolão, empurrãozinho, ajuda. A tradução disso é cota. Aí põe lá um monte de gente... só 67%, você viu aí, passaram por mérito. Estão aprendendo como é a vida, a concorrência, sem nenhuma humilhação de receber empurrãozinho. O mérito é a base”, disse o jornalista.

Pensamento superado

O presidente nacional da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Edson França, afirmou que as declarações de Garcia refletem um pensamento racista, superado e desinformado. “Não é jeitinho usufruir desse direito. E para usufruir os alunos da escola pública têm que cumprir determinadas prerrogativas, entre elas o mérito”, esclareceu Edson.
  No passado, Garcia já havia causado polêmica, ao dizer que o Brasil não era racista até inventarem a Lei de Cotas. Ele seguia o raciocínio de Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, que escreveu o livro Não somos racistas, para tentar evitar que o Brasil adotasse políticas de ação afirmativa, que existem nos Estados Unidos há mais de 50 anos.
   Pela tese de Garcia, atrizes da própria TV Globo, como Thais Araújo e Sheron Menezzes, só sofreram ataques racistas recentemente porque “inventaram” a Lei de Cotas.
  “A rede Globo foi protagonista na resistência às cotas. A emissora usou de todos os meios que dispôs para combater esse sistema. Os principais porta-vozes da Globo também tem a convicção e não vão mudar o pensamento, que, aliás, é um pensamento que vem sendo derrotado e não é de hoje”, afirmou Edson.
  Na opinião dele, o ataque de Garcia tem o objetivo de evitar o aperfeiçoamento de sistema de acesso democrático. “O acesso é importante mas é preciso aperfeiçoar para criar condições de permanência. Se você precisa ficar o tempo todo respondendo a ataques e afirmando o acerto da política você enfraquece o processo de aperfeiçoamento”, concluiu.

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