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LUIZA

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

BRASIL DOA EQUIVALENTE A R$ 4 MILHÕES PARA A AJUDA HUMANITÁRIA NA SÍRIA



ADITAL - O Brasil anunciou uma doação de US$ 1,3 milhão através do Acnur (Agência da ONU para os Refugiados) e se dispôs a enviar ainda o equivalente a US$ 1,85 milhão em arroz. No ano passado, em promessa similar, o país afirmou que estaria disposto a enviar US$ 5 milhões em alimentos, mas a doação nunca aconteceu, segundo informado pelo Itamaraty por telefone à organização de direitos humanos Conectas, por falta de meios para viabilizar o transporte até a região.
Ainda que o valor anunciado, em 2016, seja bastante inferior ao de países com PIB (Produto Interno Bruto) similar ao brasileiro, a nova doação indicaria um comprometimento crescente do governo federal com a crise. Países com peso econômico equivalente ao do Brasil enviaram quantias significativamente maiores. É o caso da Itália, com quase US$ 29 milhões doados desde 2013, ou do Canadá, com US$ 204 milhões – ainda segundo dados oficiais do OCHA.
"Dois pontos devem ser destacados: o primeiro é a ida do próprio chanceler, Mauro Vieira, à reunião; o segundo é o anúncio da nova doação, a maior já feita até agora pelo governo brasileiro para as vítimas na Síria neste foro”, afirma Camila Asano, coordenadora de Política Externa da Conectas. "São dois sinais positivos de que o Brasil quer ser parte ativa da solução para o conflito”, completa.
A guerra na Síria, iniciada em 2011, como consequência da repressão de protestos contrários ao presidente Bashar Al-Assad, já deixou pelo menos 250 mil mortos e 4,2 milhões de refugiados, segundo as Nações Unidas – o que faz desta a maior emergência humanitária da atualidade.
Segundo comunicado, publicado por mais de 90 organizações humanitárias e de direitos humanos de todo o mundo, na véspera do encontro em Londres, entre elas a Conectas, uma média de 50 famílias sírias deixam suas casas por hora, a cada dia, desde que o conflito começou. Ainda segundo essa coalizão, 13,5 milhões de pessoas dentro do país dependem de ajuda emergencial.
Leia aqui a íntegra do comunicado conjunto das organizações.

Políticas e recursos
Para a Conectas, o Brasil tem exercido um papel importante na acolhida de refugiados sírios, através de uma política de concessão de vistos humanitários, iniciada em 2013 e renovada por dois anos, em setembro de 2015. Segundo uma nota emitida pelo Ministério de Relações Exteriores, publicada na última quarta-feira, 03, mais de 2 mil sírios já foram beneficiados pela medida.
Segundo Camila Asano, da Conectas, o Brasil deve eliminar totalmente a necessidade de visto para sírios e pode ainda criar uma política de reassentamento solidário aos refugiados – uma possibilidade já levantada, inclusive, pelo Ministério da Justiça.
"Hoje, só são beneficiadas pelo visto humanitário as famílias que possuem recursos para pagarem a passagem de avião até o Brasil, que é bastante cara, e isto limita o alcance da iniciativa”, afirma. "Precisamos ser mais ousados e propositivos. Uma política de reassentamento solidário, por exemplo, poderia viabilizar o transporte de famílias refugiadas, que dependem de ajuda humanitária”.

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