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LUIZA

segunda-feira, 28 de março de 2016

Argentinos criticam silêncio do Congresso diante do pagamento aos ‘fundos abutres’


Adital - Em comunicado divulgado, a Rede Diálogo 2000-Jubileu Sul Argentina critica fortemente a decisão do presidente argentino direitista, Mauricio Macri, de fechar um acordo com os chamados "Fundos Abutres”. A Câmara dos Deputados já deu o aval à negociação; ainda falta a aprovação no Senado.
"Não é ‘normal’ negociar pagamentos multimilionários de uma dívida comprovadamente ilegítima, ilegal e impagável. Não é ‘endividando-nos para pagar dívidas’ que vamos resolver os desafios de inclusão, emprego, bem estar para todos e todas, assim como a proteção da mãe natureza”, denuncia a Rede.
O texto é assinado pelo Prêmio Nobel da Paz e presidente do Serviço Paz e Justiça (Serpaj) Adolfo Peréz Esquivel; por Nora Cortiñas, cofundadora e integrante da organização Mães da Praça de Maio; Mirta Baravalle, cofundadora e integrante tanto das Mães como das Avós da Praça de Maio; Gladys Jarazo, do Centro de Documentação do Serviço Paz e Justiça (Cedoc); e por Beverly Keene, da Rede Diálogo 2000-Jubileu Sul.
‘Uma dívida comprovadamente ilegítima’
Após uma longa batalha judicial, no dia 10 de setembro de 2015, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou uma iniciativa do então governo argentino que buscava regulamentar processos de renegociação da dívida externa de nações soberanas, impedindo a livre atuação de fundos de investimento especulativos de caráter duvidoso – os chamados "fundos abutres”.
A resolução, apesar de não ser de adoção obrigatória pelos países, foi aprovada por uma vasta maioria (136 países), representando a maior vitória política do governo argentino contra a banca financeira especulativa mundial.

Os "fundos abutres”
Após a convulsão da economia argentina, vivida em 2001, iniciou-se um período de renegociação da dívida externa do país, comandada pelo então presidente, Néstor Kirchner (2003-2007), sendo continuada por sua sucessora, Cristina Fernández de Kirchner (2007-2015). O presidente Kirchner ofereceu 35 centavos por cada dólar que a Argentina devia a esses investidores, e obteve um acordo com 93% dos detentores da dívida pública nacional.
Aproveitando-se da situação de insegurança vivida pelos investidores, os chamados "Fundos Abutres” compraram os papéis da dívida argentina por 25 centavos por cada dólar investido, e passaram a buscar na justiça o pagamento integral do valor, adicionado das taxas de juros do período.
A ex-presidenta argentina Cristina Kirchner obteve, na ONU, uma importante vitória contra os investidores internacionais especuladores, vitória esta abandonada pela atual gestão da Casa Rosada. Foto: Telesul

Qual o risco para a Argentina?
Axel Kicillof, deputado nacional pela FpV (coligação que deu suporte aos governos K) e ex-ministro da economia argentina, em artigo publicado no jornal Página|12, explica os perigos que a negociação comandada por Macri pode trazer para a Argentina.
"Os 93% que aceitaram a reestruturação de boa-fé aceitaram um desconto de 65 por cento. Se, agora, a Argentina atropelar a Lei ‘Cerrojo’ e pagar os abutres, o que pedem fazer com um módico desconto, não seria nada estranho que, em breve, apareçam bonificados que exijam o mesmo tratamento que receberam os abutres (...), multiplicando toda a dívida argentina por dois ou por três”.

Consultar o povo argentino
Ao final do comunicado, divulgado pela Rede Diálogo 2000 Jubileu, os signatários exigem que haja uma negociação transparente, e que o povo argentino seja consultado em relação às manobras do governo Macri.
"Como vemos sempre apontando a partir da Diálogo 2000 e da Assembleia pela Suspensão do Pagamento e Investigação da Dívida e pela Defesa do Patrimônio Nacional e os Bens Comuns (verdeclaração recente a esse respeito), é necessário consultar o povo argentino, antes de seguir pagando uma dívida que continua nos custando caro, e continuar endividando-se não para o seu bem estar ou desenvolvimento, mas, sim, para executar uma política de entrega, ajuste, empobrecimento e saque”, assinala o manifesto.

Com informações do Diálogo 2000/Jubileo Sul Argentina e Página|12.
Paulo Emanuel LopesColabora com ADITAL.
Email
emanuel@adital.com.br
uellopes@gmail.com




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