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LUIZA

terça-feira, 13 de junho de 2017

Medicina da USP forma “jovens doutores” para atuar em comunidades

Por Marcella Affonso - Editorias: Extensão
Uma das aulas práticas realizadas com estudantes da cidade de Santos, em 2016 – Foto: Divulgação

Eles ainda estão no ensino fundamental e médio, mas já são jovens doutores da saúde. Com a ajuda de seus professores e universitários da USP e de outras instituições, estudantes recebem capacitação para difundir em suas comunidades informações sobre prevenção e cuidados com a saúde.
A formação é realizada dentro do Programa Jovem Doutor Redes, criado há dez anos pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Cerca de 2 milhões de pessoas foram atingidas pelo programa, segundo estimativa da coordenação. O projeto acredita que uma população bem informada ajuda a disseminar conhecimentos e melhorar a qualidade de vida no âmbito pessoal e em seu entorno. Por isso, universitários transmitem informações básicas relacionadas à saúde para estudantes da rede básica de ensino que replicam o que aprenderam em suas comunidades.

A primeira experiência foi realizada em Tatuí, no interior de São Paulo, em 2007, e já chegou até na Amazônia, nas cidades de Manaus e Parintins. Mas como o projeto forma esses multiplicadores de conhecimento em saúde?

Atualmente, os municípios ou instituições de ensino procuram a coordenação do Jovem Doutor para realizar o projeto. Há encontros presenciais, mas ele funciona, basicamente, a distância – o que faz todo o sentido, já que a proposta foi idealizada pela disciplina de Telemedicina da USP, do professor Chao Lung Wen da FMUSP.

Por meio de uma plataforma virtual, e com a orientação de seus professores, os alunos do ensino fundamental e médio aprendem vários temas relacionados ao corpo humano e à saúde, como sexualidade, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis, saúde bucal, obesidade, câncer da pele entre outros.

Por sua vez, os universitários que participam do programa, também sob supervisão de seus professores, acompanham o acesso desses estudantes aos conteúdos e tiram dúvidas.

A escolha dos temas varia conforme a localidade em que o projeto está sendo aplicado, de acordo com as prioridades locais. Os tutores são estudantes de medicina, odontologia, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, engenharia, ciências da computação, arquitetura, entre diversos cursos da USP e outras universidades.Usando o Projeto Homem Virtual da FMUSP, que permite a visualização e compreensão do corpo humano em 3D, os alunos aprendem sobre saúde de forma rápida e objetiva – Ilustração: Reprodução

De acordo com Wen, o Jovem Doutor difere das campanhas de saúde tradicionais porque busca “implementar um novo raciocínio e comportamento de saúde de forma permanente”, trabalhando em ciclos programáticos de um ano em cada local. Apesar de existirem outras possibilidades, o coordenador explica que tem optado por fazer um trabalho em conjunto com as secretarias municipais de saúde e educação para atingir o máximo de escolas na cidade, de forma institucional e planejada.

Uma das ferramentas educacionais aplicadas durante esse processo é o Projeto Homem Virtual, também criado pela disciplina de Telemedicina. Ele permite visualizar e compreender, por meio de imagens dinâmicas tridimensionais, as estruturas do corpo humano. Vídeos educacionais, webconferências e listas de discussão são outros recursos usados com alunos.


Ao fim de cada ciclo, é realizada a formatura dos jovens doutores. Eles fazem um “juramento” se comprometendo a disseminar o que aprenderam no projeto e ainda são recebidos e acolhidos pelos universitários. No caso de São Paulo, o tour é pela FMUSP e Hospital das Clínicas. Para Wen, o vínculo emocional criado entre a comunidade externa e a Universidade, bem como a transferência de conhecimentos relevantes produzidos dentro dela, são os elementos mais importantes do Jovem Doutor.Alunos de Santos que participaram do projeto no ano passado em visita à Faculdade de Medicina da USP – Foto: Divulgação
Educação criativa


De acordo com Wen, o processo de aprendizagem dos alunos da educação básica que participam do programa não acaba ao concluírem determinado conteúdo na plataforma. Ao longo do curso, os alunos desenvolvem competências para atuar na promoção e na prevenção da saúde em escolas e em sua comunidade, e são estimulados a repassar, da sua maneira, o que aprendem. “A função dos estudantes não é apenas a de entender, é de brincar e criar uma nova forma de explicar o conteúdo que se aprende cientificamente através da plataforma”, afirma o coordenador.
Leandro mostra um cartaz feito por uma estudante, em uma das escolas onde levou seu projeto – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Leandro da Silva Souza, de 19 anos, participou, em 2015 – ano em que cursava o último ano do ensino médio -, de um curso de familiarização temática do Programa Jovem Doutor. Apesar de não ser o programa completo, o que foi ensinado no curso serviu de incentivo para que o jovem, que sonha em ser médico do Corpo de Bombeiros, montasse o seu próprio projeto, que envolve palestras a voluntários sobre primeiros socorros e motivação.

“Comecei a pensar: ‘Eu preciso ser um multiplicador disso, preciso passar o que sei pra frente’”, conta. Leandro Souza começou em março de 2016, na Escola Estadual Professora Maria Vera Lombardi Siqueira, no bairro Jardim Silva Teles, na zona leste de São Paulo, onde havia estudado. Desde que começou, já foi a cinco escolas, uma empresa e duas igrejas, e segue disseminando o que aprendeu no curso e motivando pessoas a acreditarem na sua capacidade, assim como ele fez.

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