Uesc amplia atuação no campo com Licenciatura em Filosofia da Terra

A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) amplia sua presença nos territórios do campo com a implantação da turma especial da Licenciatura em Filosofia da Terra, cuja cerimônia de abertura foi realizada no dia 24 de agosto, no Assentamento Terra Vista, no município de Arataca. A iniciativa é resultado de uma construção conjunta entre o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Teia dos Povos, movimentos sociais do campo e a Uesc.
A cerimônia contou com a presença do vice-reitor da Uesc, professor Mauricio Moreau, além de representantes do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH), da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), da coordenação do curso, do Incra, dos movimentos sociais, professores, estudantes e integrantes da comunidade do Assentamento Terra Vista.
A nova graduação, destinada a beneficiários da reforma agrária e quilombolas, representa um marco na trajetória da educação do campo e reforça o protagonismo da Uesc na construção de políticas de inclusão e democratização do acesso ao ensino superior. Mais do que levar a universidade para além de seus espaços tradicionais, a proposta reconhece os territórios do campo como espaços de produção de conhecimento, cultura, pensamento e transformação social.
Universidade e território em diálogo
Sob a responsabilidade do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas, a Licenciatura em Filosofia da Terra propõe uma formação articulada às realidades, experiências e saberes das comunidades do campo. A iniciativa estabelece um diálogo entre a tradição filosófica, o conhecimento científico e os saberes construídos nas comunidades, na agricultura, nas organizações coletivas e nas lutas sociais.
Nesse sentido, o Assentamento Terra Vista não representa apenas o local onde o curso começa. O território integra a própria experiência pedagógica, tornando-se espaço de aprendizagem, memória, cultura e produção de conhecimento.
A proposta também desafia a universidade a ampliar suas formas de ensinar, pesquisar e produzir conhecimento. Ao aproximar a formação acadêmica das comunidades, a Uesc reafirma uma concepção de educação superior comprometida com a diversidade social e epistemológica e com a valorização dos conhecimentos produzidos fora dos espaços acadêmicos tradicionais.
Filosofia vinculada à realidade
A criação da turma é resultado de uma trajetória construída por professores, estudantes, movimentos sociais e intelectuais comprometidos com uma formação filosófica vinculada à realidade concreta. Entre as referências dessa construção está o professor Ademar Bogo, cuja trajetória de militância e reflexão contribuiu para fortalecer a concepção de uma filosofia relacionada às experiências históricas e às lutas sociais.
A proposta parte da compreensão de que pensamento e ação estão profundamente relacionados. A filosofia, nesse contexto, não se limita à elaboração abstrata de conceitos, mas constitui também uma ferramenta para interpretar criticamente a realidade e contribuir para sua transformação.
Os estudantes chegam à universidade trazendo conhecimentos construídos em suas comunidades, na relação com a terra e a natureza, na agricultura, nas organizações coletivas e nas tradições de seus povos. Esses conhecimentos passam a dialogar com a produção filosófica e científica, em uma perspectiva de formação acadêmica baseada na troca e na construção coletiva.
Compromisso institucional
A implantação da Licenciatura em Filosofia da Terra reafirma o compromisso da Uesc com a democratização do ensino superior, a educação do campo e a inclusão de populações historicamente afastadas da universidade. Ao mesmo tempo, fortalece a atuação institucional junto às comunidades e aos movimentos sociais.
A presença da Uesc no Assentamento Terra Vista evidencia uma universidade que não apenas leva conhecimento aos territórios, mas também reconhece que pode aprender com eles. Essa aproximação fortalece a dimensão pública da instituição e amplia sua capacidade de contribuir para processos de formação, cidadania e transformação social.
A abertura da turma, portanto, representa mais do que o início de um novo curso de graduação. É a concretização de uma construção coletiva que aproxima universidade, território e movimentos sociais, reafirmando a educação como direito e o conhecimento como instrumento de compreensão crítica e transformação da realidade.
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