Última semana da temporada de “Véspera – Tome Isso Que a Vida Te Dá”
É chegada a última semana da temporada de estreia de “Véspera – Tome Isto Que a Vida Te Dá”, que está em cartaz no Teatro Gamboa. As duas últimas apresentações serão neste sábado e domingo, dias 31 de maio e 1º de junho, às 17h, encerrando uma jornada de quatro finais de semana. Com texto de Gildon Oliveira, direção de Paula Lice e atuação de Véu Pessoa, o solo apresenta a personagem Doralice, uma mulher comum que representa muitas outras na busca da compreensão acolhedora de suas próprias fragilidades e potencialidades num mundo de sobrecargas e cobranças. Ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda pelo Sympla. A classificação indicativa é 18 anos. Uma assertiva é norteadora desta obra de comédia dramática: existe um multiverso dentro de cada pessoa e o que mostramos ao mundo, conscientemente ou não, são fragmentos de muitas possibilidades de existir. Doralice, focada nos seus desajustes, faltas, fragilidades, obsessões e manias, parece não se aperceber de como viver suas qualidades e virtudes. E é desse jeito, sem uma consciência clara de si, que ela mergulha em uma jornada para dentro. Acompanhando essa transmutação, “Véspera – Tome Isto Que a Vida Te Dá” busca um modo de representar, de maneira delicada e com leveza, uma crise existencial, com o reconhecimento e enfrentamento de dramas pessoais. Põe em questão neuroses e padrões de comportamento que muitas vezes são, na verdade, reguladores de estresse, expressões de controle ou sublimação de sentimentos que fazem parte da existência humana, como medo, dúvida e solidão. Nessa abordagem, inclui camadas de discussões sobre gênero, feminismo e superação de padrões morais. Fala também de saúde mental, estratégias de sobrevivência, insurgência, renascimentos. A atmosfera das cenas dialoga com décadas passadas, não por não ser contemporânea, mas pela presença quase antiquada de Doralice, que gosta de tango argentino, radionovelas e programas de TV. E ela se mostra: expõe seu cotidiano, que se desmantela em um surto que urge por transformação.
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